Culturalmente, o brasileiro só vai ao médico, se estiver com muita dor ou em casos de emergência. Ou seja, tarde demais! Primeiro recorre a parentes, vizinhos e amigos, faz uso de remédios caseiros, de simpatias e da automedicação para adiar a ida a um especialista. Atuar nas conseqüências do adoecimento é pouco efetivo, tardio e, muitas vezes, mais dispendioso. A prevenção de doenças é muito pouco difundida junto à população.
Agir preventivamente em relação à saúde impede o aparecimento das doenças. A população pode e deve aprender a viver melhor, produtivamente e gozando de boa saúde, desde a infância até a idade mais avançada. Para isto, é preciso difundir a cultura da prevenção: o paradigma do século 21 é a opção pelo cuidado da saúde e não das doenças.
Trabalhando pela prevenção
No berço…
Logo ao nascer, o bebê deve ser submetido ao teste do olhinho vermelho. O teste do olhinho ainda é um procedimento pouco conhecido da população, mas é capaz de detectar uma série de problemas de visão em bebês e complicações que podem levar até à cegueira.
Podem ser detectados por meio do procedimento tumores, catarata congênita, traumas de parto e erros de refração: miopia, hipermetropia e astigmatismo.
Outra moléstia que pode ser detectada pelo teste do olhinho é o glaucoma congênito, que se caracteriza pelo aumento da pressão no interior do globo ocular. Neste caso, o bebê precisa ser submetido a uma cirurgia de urgência para evitar que o olho atingido seja permanentemente lesado.
O retinoblastoma, tumor maligno que pode ser curado se o diagnóstico for precoce, é outra doença que pode ser diagnosticada por meio do teste. Segundo a Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer, 400 novos casos da doença são registrados por ano no Brasil.
Na fase escolar
Ao iniciar a vida escolar é preciso que pais e professores fiquem atentos aos problemas de visão na criança, pois o processo de ensino-aprendizagem depende primordialmente da visão. Na verdade, o ideal é fazer um exame oftalmológico completo, dando ênfase ao diagnóstico de vícios de refração – miopia, hipermetropia e astigmatismo – todo início de ano letivo.
O exame de motilidade ocular também é muito importante, pois detecta o potencial de mobilidade da musculatura do olho: se existe limitação à movimentação, incoordenação; dessincromia ocasionando visão dupla, dores de cabeça ou ainda a presença de doenças oculares, endócrinas ou cerebrais. Por meio deste exame, o oftalmologista pode diagnosticar o estrabismo.
É também na fase escolar que deve ser iniciada a realização do exame de fundo de olho, região que fica entre o cristalino e a retina. O procedimento pode identificar doenças sérias como tumores e problemas vasculares. Qualquer alteração nessa área pode apontar um desequilíbrio no corpo.
Analisando os vasos sangüíneos do fundo do olho, o oftalmologista pode detectar problemas de pressão e de colesterol. O exame pode ainda identificar diabetes, leucemia, inflamações reumáticas, tuberculose, toxoplasmose e desequilíbrios da tiróide. A função principal deste exame é ajudar no diagnóstico de doenças que muitas vezes não foram percebidas pelo paciente.
Na idade adulta e na terceira idade
Além dos periódicos exames de refração e de motilidade ocular, quando a idade avança é necessário também a realização do exame de fundo de olho com mapeamento da retina. É muito útil no diagnóstico e caracterização do descolamento de retina, da retinopatia diabética, das uveítes e de diversas retinopatias.
Também é fundamental uma avaliação para a detecção precoce da presença, localização, extensão das opacidades do cristalino, sinais de inflamação intra-ocular e ainda para a avaliação da higidez da córnea, íris e ângulo da câmara anterior do olho
A tonometria é também apontada como um exame essencial, pois é capaz de rastrear o aparecimento do glaucoma.
Alba Valéria Schwarzbold
ASSIM/Unimed Rondonópolis



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